Nessa semana comecei a fazer os primeiros exercícios com a sapatilha de ponta. Com cuidado e muita paciência, porque ao contrário dos outros sapatos, a sapatilha de ponta é algo muito particular.
Tudo começou na loja. Fui junto com uma amiga do balé para não pagar mico sozinha. Aqui em Floripa a única loja que conheço que vende artigos para balé é a Todo Esporte, na galeria ARS no Centro. Assim não tem tem muita variedade de marcas ou cores e o preço é mais salgado do que, por exemplo, em Joinvile, onde tem a escola Bolshoi.
O modelo que comprei é o Marie da Só Dança. Quanto à cor, não teve negócio, só tinha rosa. Cheguei na escola com agulha e linha porque não fazia ideia de como costurar a fitinha rosa e o elástico e meu professor costurou para mim.
Aí do lado tem uma foto dos meus pezinhos nas pontas.
Sapatilha costurada, pontinha grudada, ponteira no pé e meia hora para conseguir calçar. Bem, se você é uma daquelas meninas que fez balé quando era criança vai rir bolotas da minha estranheza ao colocar meu pé em uma dessas pela primeira vez (não me pergunte como é "rir bolotas", use a imaginação).
Foi bizarro. Primeiro me senti meio esquisita, aquilo não parece feito para caminhar, achei que parecia um sapato de palhaço, com a ponta maior que o pé. Depois olhei para o espelho e desatei a rir, meu pé parecia uma bisnaguinha, tipo um pãozinho mesmo, amassadinho dos lados, só que em tamanho 39 e meio C.
É assim que se numera as sapatilhas de pontas. Geralmente uns dois números maior que seu número de calçar, no meu caso, 37. Isso já com a ponteira de silicone, porque eu nem cogitei sustentar meu corpinho no duro, direto no dedão do pé.
Bem, depois que consegui parar de rir, fui para a barra e o professor começou a passar exercícios tanto para fortalecer os tornozelos quanto para "quebrar" a sapatilha. Quando ouvi a palavra "quebrar" pensei: "Pronto! A gente compra uma sapatilha cara dessas e ela ainda vai e quebra!"
Aí o professor me explicou que quebrar era forma de dizer, porque o objetivo mesmo era dobrar a sola da sapatilha - que é bem dura - até ela ganhar o formato do seu pé quando está em meia ponta. Às vezes ela quebra mesmo e quem assistiu aquele filme Cisne Negro, com a Natalie Portman, viu uma cena em que ela quebrava mesmo a sapatilha, arrancava toda a palmilha e dançava sem ponteira. Bem, não pretendo fazer isso com meus pezinhos, então fiquei lá sofrendo para que a sapatilha quebrasse suavemente.
Enquanto eu passava todo esse drama para tentar me acostumar com a visão do meu pé em sua versão bisnaguinha rosa, minhas colegas suspiravam: "Que bonito!", "Que lindo!", "A Capézio brilha mais", "A minha é Cecília Kerche".
Capézio e Cecília Kerche são duas outras marcas de sapatilha. E pelo jeito só eu que não tenho adoração pelas sapatilhas de ponta. Bonito é, mas não no meu pé. E veja bem, essa cultura do rosa e da bailarina como ícone de beleza não fez parte da minha formação cultural, então calma, que ainda estou me acostumando.
E como é calçar as pontas pela primeira vez? Dói. Os dedos, os lados do pé e queima o peito do pé nos exercícios para quebrar. Minhas colegas reclamaram da panturrilha mas, eu não senti, porque as minhas são fortinhas e meu tornozelo é bem alongado, então prá mim o que mais doeu foi o pé mesmo.
Espero daqui a uns tempos escrever dizendo que já saí da barra com as pontas, porque por enquanto acho que só na barra mesmo. Ô calçado mais difícil de usar!

2 comentários:
Tá joia, tá lindo!!!
"No meu tempo", AHAHAHAH!, no século passado, não rolava ponteira de silicone: rolava ponta de meia fina dobrada (e levava bronca quem deixava aparecendo).
Manda ver aí, menina! Beijão!
tá muito lindo !!
No ínicio dói um pouquinho mesmo ,pouquinho nada pocão mas depois de um tempo você se acostuma
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