terça-feira, 20 de outubro de 2009

A arte é um entorpecente

Eu já disse isso algumas vezes e agora que estou quase me formando em Jornalismo, isso faz cada vez mais sentido. Eu era musicista, tocava viola clássica, cantava, me apresentei muito com o Jupem, a Orquestra de Erechim e outros grupos. Também fui poeta, ganhei um concurso, fui jurada de outro. Mas, na hora de decidir a profissão eu abandonei a arte. Sabe porque?

A arte nos deixa egoístas. Nos faz ver um mundo fictício, egocêntrico, mesquinho, fechado. Eu abandonei a arte porque tinha medo de virar algo como eram meus professores de música, os spallas convidados que vinham tocar na nossa orquestra, mesmo os músicos mais medíocres que se enchiam de impáfia e arrogância mesmo sendo um nada. Tive medo de me fechar nesse mundo e deixar de perceber a realidade.

Por isso escolhi ser jornalista, porque a realidade é mais dura, é mais difícil, mas eu sempre tive aquela noção de responsabilidade para com o mundo. Aquela noção que me faz entrar em encrencas para defender animais, lutar por respeito a toda forma de vida. A mesma noção que me faz encher de compromissos para dar um retorno à sociedade por estar estudando numa faculdade pública.

Ser jornalista para mim é mais que ter um emprego, uma profissão. É ter uma missão, uma tarefa a cumprir, uma responsabilidade com a informação que é o que movimenta o mundo. A arte faz parte das nossa vidas, é inevitável. Mas sem ilusão, porque é do real que eu vivo.

Um comentário:

Alex Sobral disse...

Os mesmos valores citados como sendo do mundo artístico podem ser encontrados no jornalismo, e com maior grau de perplexidade pois esse fala a toda população e não apenas a quem se propõe a a ouvi-los, como é na arte. No jornalismo a realidade é legítimada a partir da visão de uma única pessoa, alinhada com os padrôes editorias da indústria para qual trabalha e seu próprio vício, ignorãncia e prepotência, visto que muitos acham ser o dono do conhecimento, sic. Se o mundo artístico é surrel, está perfeitamente assegurado no modo anarquico de pensar a vida que se propõe, diferente do jornalismo que diz ser a realidade, quando o é somente a que seus divulgadores querem.