
Finalmente pude assistir o DVD do musical francês Mozart l`Opera Rock, lançado em 2009, o que eu aguardava há meses. Baixei pelo torrent
neste link . Não tem legendas então
fii, tem de sacar francês mesmo.
O espetáculo
No geral é um espetáculo muito dinâmico e fluído. Não é um musical só cantado como Notre Dame de Paris, há falas inseridas. As músicas são ótimas, mas deixam a desejar no contexto. A impressão que dá é que as letras foram feitas antes do roteiro e do texto final, pois elas parecem deslocadas.
Wolfgang Amadeus Mozart, pour vous servir
Essa é a primeira fala do personagem principal (reproduzida na foto ao lado), quebrando habilmente uma cena dramática. Mas a quebra bem feita não foi repetida em Tatoue moi.
O single principal do espetáculo é uma letra cômica e picante e ficou situada entre duas cenas dramáticas, sendo que a própria cena em que Mikelêngelo Loconte (Mozart) atua cantando, tem ares de drama e pouquíssima insinuação de comicidade (foto seguinte). O fundo e a forma ficaram evidentemente contrastantes.

Outra canção deslocada é Bim Bam Boum de Melissa Mars, que interpreta Aloisia Weber, o primeiro amor de Mozart. Pela letra o personagem é um, pelo desenrolar das cenas, é outro. Aliás, fraquinha a srta. Mars, tanto na voz, quanto na cena.
Si je déffaille

Chega a destoar da atuação de Claire Perot, que interpretou Constanze Weber, a esposa de Mozart, na primeira temporada do musical. Ela possui ótima qualidade cênica e vocal, para mim o destaque do espetáculo.(Claire e Melissa contracenam na foto ao lado)
No segundo ato, o personagem de Florent Mothe, Antonio Salieri, praticamente entra mudo e sai calado das cenas e só mostra alguma densidade nas canções. Isso desequilibra o personagem dele, já que ele é o que se considera o rival de Mozart.

Faltou dar mais espaço ao personagem no roteiro, ele ficou espremido entre as três canções que atua solo e só a partir delas vemos alguma dica de quem é Antonio Salieri. A impressão que tive foi de que algo foi cortado antes de Le Bien qui fait mal (foto ao lado), e fez falta.
Quanto a Mikelangelo Loconte, o próprio Mozart, eu entendi porque a crítica caiu em cima dele, dizendo que era um "Mozart que gesticula". Falta densidade na interpretação. Sabem aquela atriz que fez Crepúsculo, Kristen Stewart? Ela faz a mesma cara em todas as cenas, todos os filmes. Loconte é dessa linha.
Mas uma coisa gosto em Loconte. Ele é original e carismático. Entendo que os diretores o escolheram para o papel por isso. Gosto da cena em Le troublion (ao lado) e da energia dele no palco.

Dos outros tres membros da troupe, Solal, que interpreta o pai de Mozart, tem uma voz firme e bem talhada para o papel que ele cumpre bem. A irmã de Mozart, Nannerl, papel de Maeva Méline, também cumpre bem e sua canção solo, Dors Mon Ange (ao lado), é emocionante.

E por fim, Merwan Rim, que primeiro aparece cantando La chanson de l'aubergiste e depois vira o Clown, um papel abstrato e tragicômico que aterroriza os pesadelos de Mozart (foto ao lado, abaixo). Merwan também se destaca nas cenas.
O restante do elenco, dançarinos, músicos, atores, são todos muito equilibrados. Os cenários, em geral, são grandiosos e bem montados, mas não gostei da casa dos Weber, destoou pelo minimalismo. O figurino é incrível, completamente dentro da proposta de Mozart (1756-1791), ícone do comportamento rock. O figurino mescla a moda do século XVIII com figurinos de rock e produções muito modernas, extravagantes e ousadas. Gostei, deu tom e consistência aos personagens e influiu muito na composição.
Quanto à montagem do DVD, achei que, em certos momentos, o corte de cenas é desastroso e cruel com alguns atores, pois corta momentos muito bons da interpretação para outra cena à distância ou um ângulo nada a ver.
Mas, é bom e eu gosto
Os musicais franceses são assim, diferentes da Broadway (ainda bem!), únicos e muito bem montados, com estratégias de marketing que deixa qualquer produção cultural do Brasil no chinelo (ou abaixo dele). E também adorei a mistura de erudito com rock num musical. Original, vibrante e mostra bem o que a arte deve ser, um território sem fronteiras, nem rótulos.
Enfim, vale conferir e vale curtir.
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